UROLITÍASE EM OVINOS E CAPRINOS

Entende-se por urolitíase, a presença de precipitados de origem mineral ou orgânica em nível de aparelho urinário; a presença desses precipitados pode ser assintomática, porém pode evoluir para um quadro clínico grave, obstruindo as vias urinárias e levando o animal à morte.

O cálculo urinário pode ter várias causas, desde a composição mineral do solo e da água, até o tipo de manejo ou alimentação utilizada na criação. Porém, a principal forma de aparecimento do cálculo está ligada a uma alimentação rica em concentrados, sendo os urólitos, nestes casos, compostos por cristais de fósforo.

O desequilíbrio nutricional constitui a causa de maior importância no aparecimento da urolitíase, com dietas ricas em concentrados e pobre em fibras, e desbalanceamento de cálcio e fósforo.

Outro elemento a se destacar na etiologia da urolitíase é o estresse, que pode ser desencadeado por várias circunstâncias, tais como: transporte, distúrbio alimentar, baixo consumo de água, calor excessivo e exposições agropecuárias.

A urolitíase atinge animais de ambos os sexos, porém o quadro clínico da doença se desenvolve basicamente nos machos. Isto se deve às condições anatômicas da uretra, que no caso das fêmeas tem um menor percurso e um maior diâmetro, facilitando a expulsão dos urólitos. A maioria dos casos de urolitíase se observa em reprodutores jovens.

Classicamente, o desenvolvimento dos urólitos se divide em três etapas bem definidas: formação do núcleo ou matriz, precipitação dos solutos e agregação dos sais sobre os núcleos, formando, assim, uma estrutura de maior tamanho e que obstrui a uretra.

As obstruções parciais ou aquelas localizadas no apêndice vermiforme possuem um prognóstico favorável, porém a obstrução total da uretra leva a um quadro de uremia e ruptura da bexiga, evoluindo para uma peritonite e conseqüente morte do animal.

As opções terapêuticas dependem do local e das características da obstrução. A administração parenteral de espasmolíticos de ação urinária, associados com analgésicos representa terapia medicamentosa de maior difusão da urolitíase obstrutiva. O efeito positivo do tratamento é tão melhor quanto mais precocemente por realizado. Se o fluxo urinário não se restabelecer após seis horas da aplicação do medicamento, uma segunda dose pode ser feita.

O tratamento será ineficaz se, após 12 a 18 horas da primeira dose, o animal não recuperar o fluxo urinário. O uso de espasmolíticos e analgésicos deverá ser associado a antibióticos de amplo espectro, para se controlar uma possível infecção urinária.

A amputação do apêndice vermiforme constitui uma prática amplamente difundida no tratamento da urolitíase devido à sua simplicidade e eficiência, quando os urólitos estão localizados nessa região. É importante ressaltar que esse procedimento não traz nenhuma alteração na fertilidade do reprodutor.

A opção cirúrgica mais indicada em animais que não respondem às terapias conservadoras consiste na implantação de um cateter da bexiga para o exterior, com a finalidade de esvazia-la, evitando o trânsito uretral. A técnica tem demonstrado grande utilidade no tratamento da urolitíase e pode realizar-se perfeitamente em condições de campo. Essa técnica permite a lavagem da bexiga com soluções anti-sépticas e antibióticas que permitem a eliminação dos urólitos, bem como o controle da cistite.

Qualquer que seja a terapia utilizada, deve-se suspender imediatamente a administração de ração concentrada a todos os animais com urolitíase, por no mínimo 15 dias, mantendo-se uma dieta de forragem verde abundante e água fresca de boa qualidade.

As medidas profiláticas aplicadas se relacionam fundamentalmente com o tipo de alimentação e manejo utilizados na criação; por isso que é importante que a dieta esteja devidamente balanceada, que o consumo diário de ração esteja dentro dos parâmetros recomendados e que se inclua na dieta dos animais forragem verde e feno de boa qualidade, especialmente a alfafa por seu alto teor de cálcio, bem como água fresca abundante e de baixa sanilidade. O cloreto de amônia acrescentado na ração de 1% a 2% tem sido uma ferramenta bastante eficaz no controle do cálcio urinário. Muito embora o seu mecanismo de ação no organismo não esteja completamente esclarecido, subentende-se que o íon cloro age separando os cristais de fósforo e magnésio dos núcleos de precipitação.

A necessidade que os reprodutores têm de exercitar-se representa uma medida complementar que não deve ser descuidada.

Fonte: Blood D.C., Henderson, J.Y Radostits, O.M. Veterinary Medicine.1983 – 131 op

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