Suffolk, uma raça que acrescenta valor

Ruminantes2A revista portuguesa “Ruminantes”, edição 20, publicou uma reportagem muito interessante sobre a raça Suffolk, que está começando a ser produzida em Portugal. A principal entrevista é com a secretária técnica do Livro Genealógico (LG) da raça Suffolk, Helena Morais Santos.

Confira a matéria completa:

Suffolk, uma raça que acrescenta valor

A raça Suffolk surgiu em 1776 na região de Suffolk em Inglaterra, resultando do cruzamento de carneiros da raça Southdown e ovelhas da raça Norfolk. É considerada uma das melhores raças de ovinos de carne, estando atualmente disseminada por todo o mundo. Em Portugal, a Entidade Gestora do Livro Genealógico desta raça é a APORMOR (Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo). A secretaria técnica do LG, Helena Morais Santos, deu-nos a conhecer o trabalho realizado pelo livro e os seus objetivos.

“A história do LG em Portugal da raça ovina Suffolk iniciou-se em dezembro de 2014, quando a APORMOR foi reconhecida pela DGAV como Entidade Gestora do Livro Genealógico, o que levou ao arranque do LG da raça Suffolk em janeiro do ano seguinte. Este arranque consistiu em trabalhos de campo e reconhecimento de efetivos, entre outros trabalhos.”, explicou Helena Morais Santos.

Atualmente tem dezessete criadores, distribuídos desde Vila do Bispo (distrito de Faro) até Ponte de Mor (Distrito de Portalegre). A maior concentração de animais inscritos está no Alto Alentejo mas o LG e de âmbito nacional, aceitando criadores de todo o país.

Cerca de 200 Fêmeas adultas (com mais de 9 meses), de linha pura, estão atualmente inscritas no livro. Os dados das explorações e dos animais são introduzidos no programa Genpro, da empresa Ruralbit, que permite aos criadores aderentes ao LG visualizarem o efetivo que têm e os dados de cada animal. A técnica do LG Faz igualmente o controle de performances (pesagens) aos 30 e 70 dias de vida, visitando cada criador pelo menos duas vezes por ano. A recolha de sangue para exames de ADN, para confirmar que as paternidades e maternidades são de linhagem pura e Filhos de animais que estão registados no livro, é outro dos serviços prestados pela associação.

Um dos objetivos para os próximos anos é a expansão dinamização da raça, com a presença em várias feiras, e realização de estudos em cruzamentos com raças autóctones, para demonstrar a mais valia presente na utilização da raça e o seu interesse para cruzamentos industriais. Outro objetivo do LG e a inauguração de uma estação de testagem e melhoramento, que irá ter lugar em abril.

Ruminantes1Ruminantes – Porque decidiram “trazer” a raça Suffolk para Portugal?
Helena Morais Santos – Desde há 20 anos que gostem animais em Portugal, mas o interesse aumentou levando a uma procura cada vez maior destes animais, e a uma intensificação dos pedidos de importação. Não fazia sentido continuar a trazer animais registados e não dar continuidade ao processo em Portugal. Esta raça é reconhecida e apreciada por um número elevado de produtores.

Quais as principais características da raça Suffolk?
São dóceis, tem rusticidade adaptando-se muito bem ao nosso clima. A qualidade da carcaça e muito elevada, e são animais de crescimento diário muito rápido, especialmente nas primeiras 3-4 meses, quando facilmente atingem 50 kg de peso vivo.

Os carneiros são suficientemente rústicos para se adaptarem ao regime extensivo do Alentejo?
Sim. Temos criadores aqui da região (Montemor-o-novo) que têm os carneiros o ano todo com as fêmeas de raça merina e não apresentam problemas.

Que linhas genéticas existem em Portugal?
Existe a francesa, com pais e mães franceses. No ano passado a Associação importou ll7 animais (112 fêmeas e 5 carneiros) de França, cujos produtores rem carneiros de linha inglesa e ovelhas de linha francesa, Existem igualmente no LG criadores só com linha inglesa.

No passado esta raça era conotada com problemas de foto-periodismo. Continua a fazer sentido fala disto?
Creio que não faz sentido falar nisso. O fotoperiodismo é uma característica da espécie ovina e todas as raças o têm de alguma forma No caso da raça Suffolk, sendo uma raça de alto valor genético, com décadas de melhoramento o que se pretende é que os animais tenham os partos na época do ano mais favorável, quer para o crescimento dos borregos, quer também para a recuperação das fêmeas para a época de partos seguinte. Estamos a falar de uma raça com um índice de prolificidade bastante alto, cerca de 1,65/fêmea/ano, o que requer uma gestão cuidada do efetivo reprodutor, assegurando uma boa condição corporal das fêmeas ao longo de todo o ano. Do ponto de vista do produtor, não existe a necessidade de ter 3 partos em dois anos, mas sim muito provavelmente 3 borregos desmamados em dois anos e de alto valor genético.

Em que se destaca esta raça das ultras raças exóticas presentes em território nacional?
Comparativamente a outras raças exóticas, os Suffolk são animais mais rústicos, que se adaptam aos rebanhos nacionais, geram partos fáceis (pais têm o cabeça estreita) e têm as outras características que já comentei previamente, nomeadamente crescimento precoce muito vincado com g.m.d de 400 gr até aos 70 dias.

Os Suffolk são mais valorizados pelos comerciantes?
Sim. Temos várias situações de animais cruzados presentes nos leilões que realizamos aqui na APOIWOR. Quando um criador traz um grupo de borregos que resultam de um cruzamento com carneiro Suffolk e outro grupo de borregas da mesma idade que não são originários de um cruzamento com carneiro com Suffolk, acaba por lucrar mais com os animais do primeiro grupo. lsto ocorre visto que, apesar dos valores unitários dos borregos serem iguais, as que resultam de um cruzamento com carneiros Suffolk têm mais peso e como tal tem um valor monetário final mais elevado.

Quais as características da raça?
Os borregos possuem mais massa muscular, maior carcaça e baixo teor de gordura. As peças, principalmente o Carré, têm uma boa proporção, em comparação com outras raças, e possuem mais altura e volume. A capa de gordura dos animais Suffolk é e bem distribuída ao longo de toda carcaça. A relação carne/osso na carcaça também e diferenciada, pois os ossos aos animais Suffolk não são excessivamente grossos, proporcionando um rendimento maior de carne na carcaça.

Têm algum acordo para comercialização da carne?
De momento não temos nenhum acordo, mas é um objetivo do LG, pois esta carne é muito apreciada, nomeadamente em Inglaterra onde fazem muitos concursos e o Suffolk esta sempre muito bem representada São animais com grande rendimento de carcaça (mais de 55%), o que os torna apreciáveis para a indústria, para a distribuição e para o consumidor final.

Qual o preço dos reprodutores?
Os preços indicativos para fêmeas de 3 a 5 meses são de 300 a 350 euros, e para machos com a mesma idade de 350 a 400 euros.

Como se pode tornar associado? Quais são os custos de adesão?
Para se tornar associado basta contatar a APOMWOR para que eu possa fazer uma visita de reconhecimento a exploração, e [era igualmente de preencher duas fichas uma de criador e outra de adesão ao LG. Os custos de ser associados são 25E jóis + 2E por ano por animal inscrito no Livro de Adultos

Um dos objetivos do LG é abrir uma estação de testagem e melhoramento. Onde planejam criar esta estação?
Numa exploração de um criador perto de Montemor-Nova, a fim de viabilizar o projeto não honorando em demasia dos criadores que pretendam ter machos na testagem.

E como vai decorrer o funcionamento do centro?
Os borregos vão entrar com idade entre os 2,5 e os 4 meses, com ganho médio diária mínima de 350g e um mínimo de 30kg de peso aos 70 dias. Os animais estarão 60 dias em testagem (O de habituação mais 50 dias em testagem) onde serão pesados de l5 em 15 dias, e onde serão medidos, por 2 vezes, o músculo e gordura.

Quais são os principais objetivos para o futuro do centro?
Os obejtivos do melhoramento são dirigidos tanto para fêmeas como para machos aumentos da massa muscular em machos e da velocidade de crescimento, redução dos níveis de gordura, aumento da prolificidade, melhoria do valor leiteiro, precocidade sexual e das qualidades maternas nas fêmeas. Tanto em machos como nas fêmeas serão também avaliados os aspetos morfológios.

Quinta do Vale Côvo – Uma empresa que aposta na raça Suffolk

Os testemunhos de Luis Bandeira e Alexandre Mourato

Na Quinta do Vale Côvo, os sócios Luis Bandeiia e Alexande Mourato decidiram apostar na raça Suffolk depois de vários anos com 60 ovelhas de carne cruzadas. “Queríamos melhorar a qualidade e tamanho das carcaças dos borregos intensivos com que trabalhamos por isso estudamos varias raças, entre elas o Sufolk”, comentou Alexandre Mourato.

“Gostamos do resultado o do estudo desta raça, havia poucas animais em Portugal e por isso sentimos que poderia ser uma boa oportunidade apostar no Suffolk”, explicou Luis Bandeira, em Brasília. “Tudo se desenrolou de forma fácil pois a Associação, através da sua secretária, ajudou nos contatos”.

O negócio começou com 10 fêmeas e dois machos Suffolk, e dentro de poucos anos permitem estar com 20 fêmeas, pois os cerca de 3 hectares da quinta não permitem pensar num efetivo maior. Apesar do risco, irão avançar com a inseminação artificial (IA) no rebanho, ainda que com uma probabilidade de insucesso elevada (cerca de 40%), permitindo-lhes apostar em genética de elevado potencial, que ainda não existe em Portugal. As palhetas de sémen podem ser compradas através da Suffolk Sheep Society (www.suffolksheep.org) com as características que desejam ver melhoradas. A aposta a IA será já para a próxima cobrição e optimisticamente, irá evitar que comprem um carneiro e cada um dois anos.

“Como características dos reprodutores que queremos ter para vender, as prioridades são a adaptação perfeita às nossas condições edafoclimáticas e um crescimento e rendimento de carcaça elevado. Esse sistema nos permite no cruzamento industrial e na formação de FEI de glande qualidade e rendimento podendo assim esta com os olhos na restauração, supermercados e grandes superfícies”.

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