O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira

 

Texto escrito por Rafael Fernando dos Santos, para o blog Cordeiro Biz.

Com o passar dos anos, é natural o amadurecimento da cadeia ovina no que tange a sua organização para entregar o melhor produto para o mercado consumidor. Desde o aquecimento do setor com a entrada de investidores na atividade, os elos de atuação (produtor-frigorífico-distribuidor) foram pressionados a se estruturar para atender a demanda vigente. Durante esse processo sentiu-se a necessidade de dinamizar o escoamento da produção, no qual o terminador assume hoje um papel fundamental para os produtores e frigoríficos.

O processo de produção (cria e recria – desmame) e terminação (engorda) dos animais, seguido da entrega para o frigorífico e distribuição dos cortes ao consumidor é claro para todos. Porém, é fato que esbarramos em diversos entraves.

O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira. Produtor, a equipe do CordeiroBIZ destaca como ponto mais importante da produção o cordeiro bem desmamado. Busque seus resultados.

O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira. Produtor, a equipe do CordeiroBIZ destaca como ponto mais importante da produção o cordeiro bem desmamado. Busque seus resultados.

 

O primeiro deles se encontra ‘dentro da porteira’. A ausência do planejamento da monta resulta em uma produção dispersa de animais ao longo do ano, o que dificulta a formação de lotes homogêneos, assim como a mão-de-obra. Quando falamos em rebanhos menores, temos um número baixo de animais produzidos, dificultando a conta do insumo a ser comprado, pois esses devem ser comprados em valor de balcão (leia mais aqui). A consequência desse tipo de produto são animais caros ao sistema e com valores líquidos menores ou negativos, causando oneração do custo final da produção.

Na outra ponta da cadeia, as indústrias frigoríficas estão com dificuldade para encontrar volume constante e qualidade nos ovinos terminados. A concentração na oferta de animais durante a safra ovina (outubro a dezembro) sobrecarrega os abatedouros e torna irregular a produção durante o ano. Consequentemente, o setor fica ocioso durante os meses de maio, junho e julho, quando a safra de cordeiros vinda do sul do Brasil se encerra.

Considerando o cenário descrito acima, qual seria então o papel fundamental do terminador?

O terminador é capaz de absorver cordeiros o ano todo e em diferentes volumes de oferta. Ele passa a ter um papel fundamental quando o produtor precisa desovar a produção, principalmente quando os cordeiros são terminados durante a safra, quando a agenda de abate está lotada. Isso acontece devido aos frigoríficos possuírem parcerias com grandes produtores e terminadores que oferecem volume, qualidade e constância na entrega de animais terminados. Traduzindo, o terminador hoje dá a segurança que o frigorífico procurava.

Na outra ponta, a atuação do terminador dentro da cadeia possibilita aos produtores a opção de negociar a venda do lote de desmame, tanto quanto a venda de animais terminados. O terminador seria então um facilitador do sistema, propiciando ao produtor de cordeiros um direcionamento mais focado na produção efetiva em volume de animais. Dessa forma, a terminação e seus custos são transferidos para “fora da porteira”.

A economia no sistema de produção pode ser facilmente comparada quando atentamos que de 100% do custo do cordeiro, temos 25-30% sendo destinados à alimentação de animais confinados. (Fonte: CordeiroBIZ)

O valor remunerado ao produtor torna-se atrativo quando comparamos a remuneração final de um lote gordo à venda aos animais desmamados ou em fase final de terminação. Quando bem trabalhadas, são todas alternativas para maior lucro líquido do produto em diferentes situações.

Produtores, vamos comparar como seriam as duas negociações de um mesmo lote por meio de uma linha de raciocínio desenvolvida pelos exemplos abaixo:

Produtor Rural 01
– Rebanho: 100 ovelhas produtivas
– Cordeiros desmamados: 80 animais
– Média de peso ao desmame com 60 dias: 18 kg
– Custo médio diário da dieta no confinamento: R$ 1,00
– Dias em confinamento para terminar um cordeiro com 35 kg: 57 dias (ganho de 300g/dia)
– Valor do quilo do cordeiro desmamado ou terminado: R$5,60

Venda do lote na desmama:

80 animais * 18 kg * R$ 5,60 = R$ 8.064,00
Custo do produtor 01 para terminar o lote na propriedade:

80 animais * 57 dias * R$ 1,00 = R$ 4.560,00
Venda do lote terminado na propriedade:

80 animais * 35 kg * R$ 5,60 = R$ 15.680,00
R$ 15.680,00 – R$ 4.560,00 = R$ 11.120,00
No exemplo acima, o ganho do produtor ao decidir confinar o lote de cordeiros alcançou um rendimento de R$3.056,00 comparado com a comercialização do mesmo lote logo após a desmama para um terminador.

O terminador de cordeiros consegue trabalhar melhores custos das dietas de confinamento por meio do poder de barganha na compra dos insumos. O resultado disso é a margem líquida mais atraente na venda para o abate.

A equipe do CordeiroBIZ destaca como ponto mais importante da produção o cordeiro bem desmamado. Com pesos acima dos 23 quilos, o animal mantém o potencial de ganho durante o confinamento (média de ganho de 400g/dia). Isso significa que uma boa desmama reflete em um menor custo para a terminação dos animais.

Produtor Rural 02
Rebanho: 100 ovelhas produtivas
Cordeiros desmamados: 80 animais
Média de peso ao desmame com 60 dias: 23 kg
Custo médio diário da dieta no confinamento: R$ 1,00
Dias em confinamento para terminar um cordeiro com 35 kg: 30 dias (ganho de 400g/dia).
Valor do quilo do cordeiro desmamado ou terminado: R$5,60
Venda do lote na desmama:

80 animais * 23 kg * R$ 5,60 = R$ 10.304,00
Custo do produtor 02 para terminar o lote na propriedade e remuneração pela venda do lote de cordeiros terminados:

80 animais * 30 dias * R$ 1,00 = R$ 2.400,00
80 animais * 35 kg * R$ 5,60 = R$ 15.680,00
Subtraindo o custo de terminação no confinamento do valor total da venda do lote de cordeiros gordos chega-se na remuneração final do lote:

R$ 15.680,00 – R$ 2.400,00 = R$ 13.280,00
No comparativo com a venda do lote na desmama, temos o seguinte ganho:

R$ 13.280,00 – R$ 10.304,00= R$ 2.976,00
Nossa planilha então, se resume da seguinte forma:

2

O confinamento mais leve garante um lucro líquido muito semelhante ao do confinamento mais pesado, pois o lucro final é igual para os dois. A diferença está na desmama mais pesada e no consumo total da desmama mais leve em confinamento, que gera até 90% a mais em investimento com alimentação. O fato é que uma desmama bem feita pode gerar ganhos muito semelhantes ao confinamento de uma desmama mais leve.

Cabe então ao produtor decidir se o sistema não contará com problemas de mão-de-obra, que possam atrasar o ganho de peso diário, com mortalidades altas no confinamento, falta de planejamento na compra de insumos, comprometendo o ganho de peso no sistema como um todo, dentre outros. As contas são uma particularidade de cada fazenda e muitas vezes o lucro de R$3.000,00 pode ser diluído por falhas do sistema.

Dessa forma, o papel do “terminador” vem sem dúvida agregar na cadeia.

O foco na produção de cordeiros para desmame pode ser ainda mais rentável quando falamos em partos gemelares e pesos a desmama maiores do que 23 quilos.

Pense produtor, em sua propriedade o foco está sendo bem direcionado para todas as categorias animais?

 

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