Instalações para Ovinos

ASPECTOS GERAIS
Em algumas regiões do País, a criação de ovinos constitui-se na atividade principal de muitos estabelecimentos, principalmente na região sul. No nordeste, a maioria dos rebanhos é criada extensivamente, ou ultra–extensivamente, sendo comum animais serem agrupados uma a duas vezes por ano. Para as condições do Estado de São Paulo, os objetivos e características da criação de ovinos diferem dos observados no sul e nordeste, pois as criações tendem ser intensivas, com rebanhos de pequenos a médios, com alta produtividade e integração com outras criações e culturas.

A construção de instalações dependerá do manejo, número de animais e tipo de exploração do rebanho. Os rebanhos só justificam o custo das instalações quando contam com mais de 50 cabeças; rebanhos menores poderão ser manejados nas instalações de bovinos. Quando a exploração ovina constituir-se na principal atividade do estabelecimento, deverá então estar equipada com todas as instalações. Para rebanhos de elite, ou aqueles que recebem manejo mais freqüente, há necessidade de um número maior de instalações.

Na Austrália e Nova Zelândia, onde os rebanhos são criados ultra-extensivamente, foram desenvolvidas instalações portáteis, evitando que o rebanho atravesse grandes extensões para receber o manejo. Os resultados desses equipamentos têm-se mostrado bastante satisfatórios. No Brasil, a grande maioria dos estabelecimentos utiliza-se de instalações fixas, construídas de madeira, alvenaria ou de ambas.
LOCALIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES
Relevo: Deve-se buscar na propriedade um terreno livre de umidade, de fácil acesso e que seja próximo às pastagens e à sede do estabelecimento, no sentido de evitar predadores.

Solo: Drenado, de preferência sem pedras, bem coberto por vegetação rasteira abundante e com gramíneas estoloníferas.

Clima e orientação: Em regiões de clima frio, com muito vento, torna-se necessária a construção de abrigos, principalmente para ovelhas pré-paridas e cordeiros. Também em regiões muito chuvosas ou com excesso de sol, devemos providenciar abrigos que protejam o rebanho, proporcionando-lhe maior conforto. Tais abrigos deverão ser construídos na direção norte-sul, de modo que o lado que recebe o vento sul, seja fechado.

Material: A primeira impressão que se tem ao visitar um estabelecimento dedicado à criação de ovinos é a semelhança deste com as instalações para bovinos, porém em menor escala. Os materiais podem ser os mais variados, desde a madeira até a alvenaria. Recomenda-se que nas áreas de currais, o piso seja cimentado, nas condições da região centro -sul brasileira. No nordeste, o chão batido se torna viável.

Medias por Categorias: A literatura fornece várias medidas, estando as médias relacionadas abaixo:

• currais: 1,0 m2/animal
• categorias: reprodutores:3,5 a 4,0 ms (boxes individuais)
ovelha adulta: 1,5 a 2,0 m2/animal
ovelha com cria: 2,0 a 2,5 m2/animal
• confinamento: coberto: 1,5m2/animal
descoberto: 5,0 m2/animal
• comedouro: 40 cm/animal
• iluminação: 10% da área do piso
CERCAS
Podem ser dos mais variados materiais, dependendo do tipo de instalação e do material disponível na região.

CERCAS DE PASTAGENS:

Cercas de arame farpado: este material só é utilizado para ovinos deslanados, explorados para produção exclusiva de carne, com seis fios, com o seguinte espaçamento a partir do solo:

1º fio – 5 cm
2º fio – 10 cm
3º fio – 15 cm
4º fio – 15 cm
5º fio – 20 cm
6º fio – 25 cm
Total – 90 cm de altura
Em locais onde há integração com eqüinos e bovinos, a altura da cerca será dimensionada em função destes, podendo-se construí-las de arame farpado, colocando-se arame liso galvanizado apenas nos vãos inferiores.

Cercas de arame liso: É o mais utilizado. Geralmente utilizamos fio ovalado, galvanizado, nº 15/17 (1000 m/15 kg). Espaçamento dos fios:

Cerca de 5 fios:
1 º fio – 10 cm
2 º fio – 15 cm
3 º fio – 20 cm
4 º fio – 25 cm
5 º fio – 25 cm
Total – 95 cm de altura

Cerca de 6 fios:
1 º fio – 10 cm
2 º fio – 15 cm
3 º fio – 20 cm
4 º fio – 25 cm
5 º fio – 30 cm
6 º fio – 30 cm
Total – 130 cm de altura (atendendo a ovinos, bovinos e eqüinos)

Observação: apresentamos cercas com altura variando de 90 a 130 cm, dimensionadas para ovinos lanados. Para ovinos deslanados, que apresentam comportamento semelhante ao de caprinos (posição bipedal), as cercas poderão ter altura de 130-150 cm.

Mourões: A distância entre mourões varia com a utilização dos balancis de arame e a cada 2 m tem oferecido ótimos resultados.

CERCAS PARA CURRAIS

Os currais devem ter resistência suficiente para conter o ímpeto dos animais que se empurram contra seus limites. Geralmente, são feitos de madeira resistente e tratada. As cercas devem ser feitas de tábuas de madeira, com 10 cm de largura, convenientemente dispostas, estando a tábua mais baixa a 5 cm do chão, seguida por espaçada de 5 cm, de forma a evitar que os cordeiros escapem. A altura de 100 cm (lanados) a 130 cm (deslanados) é a recomendada. Os mourões são espaçados a cada 2 m, com diâmetro de 7 a 12 cm. Sugestões de espaçamento:

1ª tábua – 5 cm do solo
2 ª tábua – 5 cm da 1ª tábua
3 ª tábua – 10 cm
4 ª tábua – 15 cm
5 ª tábua – 15 cm
Total – 100 cm de altura, considerando que cada tábua mede 10 cm.

CERCAS PARA ABRIGO E CABANHA:

Os ovinos são presas fáceis de alguns animais, principalmente cães vadios. Assim, ao redor das cabanhas e dos abrigos, devemos utilizar tela de arame, na mesma altura da cerca utilizada nos piquetes, podendo-se colocar mais um ou dois fios de arame farpado a 15 e 10 cm além da altura, de modo a evitar que os cães saltem a cerca.

PORTEIRAS:

Porteiras para pastos: devem ser feitas de arame, com balancis da mesma altura da cerca, com vão de 3,0 a 3,5 m, visando facilitar o manejo dos animais.

Porteiras para currais: devem ser feitas de madeira, assentadas sobre pinos de ferro, do tipo vaivém, de modo que possam ser utilizadas de ambos os lados, conforme a necessidade. A dimensão e o espaçamento entre as tábuas pode seguir o mesmo modelo da cerca para curral.
ABRIGOS E CABANHAS
Abrigos: São construções utilizadas para proporcionar conforto aos animais nas horas mais quentes do dia, podendo ser substituídos por pequenos bosques (0,5 há, de eucalipto/500 ovelhas).Os abrigos fornecem proteção contra predadores às ovelhas recém-paridas e seus cordeiros, assim como aos animais recém-tosquiados.

Devem ser dimensionados tomando pro base 1 m2/cabeça. Os animais devem ficar no abrigo somente durante a noite, para que não limitem seu tempo de pastejo.

Os abrigos devem ser construídos suspensos ou em terreno com declive de forma a facilitar a limpeza (0,8 a l,2 m de altura) utilizando piso ripado, com ripas de 5 cm espaçadas a 1,5 cm umas das outras, paredes de alvenaria ou madeira e telhas de barro, metálicas ou de fibrocimento com altura de modo a permitir ventilação não excessiva nas áreas de clima frio ou com bastante ventilação nas zonas de intenso calor.

Deverão possuir comedouros e bebedouros, e ainda separações para conter ovelhas com seus produtos, além do espaço para as outras categorias do rebanho.

Sua localização deve ser junto à casa do tratador e de fácil acesso em razão do manejo.

Cabanhas: São construções destinadas ao trato e alojamento de reprodutores e matrizes, além dos animais destinados a exposições.

São construídas como os abrigos, diferenciando-se destes por possuírem divisões internas (boxes), contendo um comedouro, gradeado para forrageiras e um bebedouro, ficando em cada repartição um ovino adulto ou dois borregos. Dimensão dos boxes: 2×2 a 2×3 m.

Currais ou mangueiras: São construções que requerem cuidado em sua construção e localização. Devem localizar-se no centro da propriedade, em se tratando de grandes ou médias extensões, ou junto aos abrigos/cabanhas, em propriedades menores, evitando-se, desse modo, que o rebanho percorra grandes distâncias, tornando difícil o manejo ou se tornem prejudiciais aos animais. Assim, a disposição dos currais e troncos de manejo varia de acordo com a propriedade, devendo ser dispostos de tal modo que atendam todos os trabalhos com o rebanho.

Para as dimensões, calcula-se, em média, 1 m2/animal, de tal maneira que os animais possam ser alojados por um período de tempo, sem inconvenientes. O piso dos currais deve ser feito de cimento rústico; o madeiramento segue as normas já descritas.

Tronco de manejo: É a instalação mais importante, sob o ponto de vista da classificação e seleção de animais. Deve ser feito de madeira unida, sem frestas, de tal modo que o animal só olhe para a frente, não penetrando as extremidades em orifícios, evitando fraturas. O piso de cimento funcionará como pedilúvio. Quanto à largura, deve permitir a passagem de um animal por vez, impedindo-o de se virar ou saltar o tronco de contenção; no manejo, deve sempre ser utilizado o número máximo de animais, de modo a se evitar o ir e vir destes ao longo do tronco.

Dimensões: a) comprimento – 6 a 12 m; b) largura na base – 0,30 cm; c) largura no ápice: 0,50 c.

Porteiras de Classificação: São porteiras ou portões de aparte, que ligam o tronco a várias subdivisões do curral, de modo a permitir a separação do rebanho em categorias. Suas dimensões seguem as das porteiras do curral.

Funil ou seringa: É um estreitamento gradual do curral de recepção, que conduz ao tronco, com a função de facilitar a entrada dos animais. A parte final da seringa deve ter as laterais fechadas, de modo a evitar acidentes com os animais. Entre o funil ou seringa e o tronco, podemos construir um redondel.

Balança: É um instrumento de valor na criação, através do qual obteremos dados do desenvolvimento ponderal do rebanho. Pode ser acoplada ao tronco ou ser instalada em lugar à parte, porém sempre considerando a facilitação do manejo, tendo em vista as instalações existentes.
GALPÃO DE TOSQUIA
Galpão: É uma estrutura destinada à tosquia (tosa ou esquila) e armazenamento da lã (estabelecimentos destinados à produção de lã ou mistos), que ao ser construído deve ser considerada a ventilação e a iluminação, visando facilitar o trabalho do tosquiador. Tal instalação só se justifica para rebanhos grandes. Rebanhos menores e animais de cabanha são tosquiados em uma das divisões do curral de manejo ou do abrigo.

Curral de Espera: É um curral acoplado ao galpão de tosquia, onde devem ficar os animais que serão tosquiados no dia, devendo comportar cerca de 50 cabeças.

A permanência dos animais no curral intensifica a taxa de sudação e isto promove maiaor facilidade para retirar o velo com tosquiadeira elétrica ou tesoura manual. Os animais tosquiados pela manhã, deverão ser recolhidos na noite anterior, evitando chuvas que alterem o teor de umidade natural da lã, o que provoca ataque de bactérias após o embolsamento.
ARMADILHAS PARA MOSCAS
Consiste em uma esterqueira, com fundo de tela de malha grossa, na qual se deposita uma camada de 5 cm de esterco, colocando-se sob ela um recipiente com água e óleo. A mosca deposita os ovos no esterco; as larvas buscam maior temperatura no interior do esterco e caem na água, asfixiando-se. Deve ser construída em regiões com incidência de oestrose.
BEBEDOUROS
Nas pastagens, se não houver água natural, poderemos suprir a necessidade dos animais, instalando caixas de fibrocimento/plástico, com sistema de alimentação contínua (bóia), cuidando para mantê-las sempre limpas.
COCHOS PARA SAL MINERAL E CONCENTRADOS
No pasto, os cochos para sal mineral podem ser feitos de madeira ou alvenaria, sempre cobertos. É interessante cimentar ao redor da base do cocho, evitando o desgaste do local. Nos boxes, podem ser de madeira, plástico ou cerâmica.
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